quinta-feira, outubro 13, 2005

Crônica de uma morte súbita

Morreu um homem hoje. Vi seu corpo estendido no corredor de ônibus; a cabeça e o abdômen rasgados. Estava com os braços abertos. Parecia apenas querer atenção. Não sei se queria morrer.
O brilho vermelho de vísceras expostas fascinava a multidão.
A mescla de repulsa e interesse em seus rostos me fascinava. Choque expresso em olhares e bocas, incapazes de saírem dali ou mesmo de se virarem.
Somente ele olhava para o outro lado. Naquele momento sublime, orgulhosamente ignorava a atenção pela qual tanto ansiara.

Um comentário:

Anônimo disse...

ficou realmente legal o texto e a abordagem. mas nao precisava ter me subestimado ao ponto de me explicar o titulo :-)