Quando acabei de ler O Iluminado, deviam ser umas duas da manhã - 'aquela época, tarde para mim. Queria ir no banheiro antes de dormir, mas estava no quarto. Aqui em casa, para se ir do meu quarto até o banheiro, tem-se que passar pela escada - que, no escuro, parece um buraco negro. Quase morri de medo quando passei lá, e lembro de ter visto luzinhas vermelhas, tipo olhos malignos, me olhando. Pura inducão, espero.
Quando surgiu o ET de Varginha, dizia-se que ele destroçava as orelhas das ovelhas, ou algo assim. Fiquei com tanto medo de ter a minha orelha arrancada que comecei a dormir tapando ela com a coberta, ou ao menos com o cabelo - hábito que mantenho até hoje.
Minha irmã pensava que, quando ia ao banheiro de noite, havia um monte de vermes no chão, querendo comer os pés dela.Ent?o ela ia e voltava correndo do banheiro.
Tenho verdadeiro pânico de lugares muito pequenos. Não é exatamente o tamanho do lugar que me apavora - é não poder me mexer. Quando minhas irmãs me imobilizavam, eu chegava a chorar, quase, de nervosa. Usei um bom tempo só roupas com gola V, para poder 'respirar direito'. Nunca aconteceu, mas penso que enlouqueceria se me amarrassem e eu não pudesse me mexer.
Não tenho medo do escuro quando estou totalmente mergulhada nele. Jornadas 'a noite, só com a luz da Lua, não são problema para mim. Mas se estou num lugar claro cercado de escuridão, tenho medo dela.
Quando estou num lugar grande, aberto e claro, me sinto exposta e fico com medo. Se o lugar for escuro, não.
Vejo filmes de terror numa boa, mas depois tenho medo de que os personagens sejam reais e estejam logo além da minha janela.
Tenho medo de ficar sozinha, de que tudo que conheço desapareça de repente.
Tenho medo de não ser capaz de corresponder 'as esperanças depositam em mim, e decepcionar quem eu gosto.
Tenho medo de não ser boa o suficiente, ou de magoar as pessoas.
Tenho medo de perder quem eu amo.
Tenho medo de que os seres humanos continuem estragando o mundo, e do que acontecerá depois disso.
Tenho medo de morrer antes de ter aproveitado minha vida o suficiente.
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